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O poder do storytelling

O poder do storytelling

O storytelling aparece muito antes da escrita e até mesmo antes do surgimento da forma de comunicação como conhecemos.

Estima-se que na pré-história cerca de 80% do tempo era utilizado para a contação de histórias. Os homens dessa época fantasiavam sobre como havia sido a caça ao longo do dia, com o objetivo de melhorá-la no dia seguinte. Aliás, você sabia que o homo sapiens se diferencia de um animal comum justamente pela capacidade de se comunicar e de falar sobre uma realidade não objetiva? É o que nos transforma em uma espécie dominante, seja para o bem, seja para o mal.

A partir da Revolução Cognitiva o ser humano passa a se mobilizar por conta de realidades ficcionais: ou seja, definimos códigos e representações, como por exemplo a ideia de que com uma nota de papel podemos adquirir comida e objetos. Nacionalidades, religiões, ideologias… Tudo isso faz parte de uma grande narrativa trabalhada com símbolos.

No marketing não é diferente. O renomado e visionário Steve Jobs virou o mundo de cabeça pra baixo ao lançar o iPhone em 2007, um dispositivo que reúne iPod, celular, internet e câmera em um pequeno aparelho inovador de tela touchscreen e design sofisticado. E a técnica para mostrar essa revolução ao mercado? Uma história contada a partir de apresentação de PowerPoint, no palco de um teatro.

A narrativa é um meio de gerar engajamento, de se tornar único e mais do que isso: é uma embalagem para o propósito. A história se torna efetivamente poderosa quando mexemos com a motivação e emoção de um grupo de pessoas, ativando suas memórias.

Com a Revolução da Internet as pessoas também mudaram o seu comportamento em relação ao mercado. Hoje a maioria dos consumidores vêem o anúncio, pesquisa sobre a marca e adquire o produto, tudo pelo navegador da internet. E mais do que isso, o cliente está disposto a desembolsar uma quantia maior de dinheiro para adquirir um produto com propósito, que traduza os seus ideais e agregue valor. Ele acredita em uma marca que se conecte e tenha um manifesto maior.

Para criar esse tipo de conexão é necessário criar histórias capazes de emocionar e de humanizar assuntos que a primeira vista são desinteressantes. É preciso focar na solução do problema do consumidor e não no produto em si, dessa maneira as pessoas compram o seu produto e também o significado e valores da sua marca.

A Bauducco, por exemplo, faz questão de mostrar suas origens na cozinha familiar e conta que a tradição e o amor pela culinária é que são responsáveis pelo sucesso da empresa.

Outro exemplo é a Nike que usa atletas reais para valorizar o esforço e a perseverança dos esportistas, comunicando a autenticidade do seu posicionamento: Just do it.

O storytelling é a maior ferramenta na construção de um manifesto, ele é capaz de vender sentido e de despertar emoções no consumidor. Para isso, é necessário contar histórias inspiradoras e reais, que gerem identificação por parte do público e sejam capazes de permanecer na memória do consumidor por anos a fio.

Porto Bureau
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